Uma obra de 15 pavimentos na Rua Joaquim de Oliveira, em Belford Roxo, revelou um problema clássico: o solo arenoso de cobertura, típico da Baixada Fluminense, se desprendia em blocos após cada chuva. A situação obrigou a equipe a refazer o projeto de fundação. Na prática, isso significa que, sem uma análise de erosão do solo prévia, o risco de perda de material e instabilidade das cortinas de contenção é real. Em Belford Roxo, onde o lençol freático oscila com as marés do Rio Sarapuí, a erosão subsuperficial (piping) é uma ameaça silenciosa. A investigação começa com calicatas exploratórias para descrever o perfil, seguidas de ensaios de permeabilidade para entender o fluxo d'água. Só então dimensionamos a drenagem e a proteção superficial adequadas.

A erosão interna é silenciosa: um talude aparentemente estável pode colapsar semanas após uma chuva intensa sem proteção superficial.
Procedimento e escopo
Particularidades da região
O contraste climático da Baixada Fluminense, com verões chuvosos e invernos secos, acelera a erosão em Belford Roxo. O solo, quando exposto, perde de 5 a 15 cm de camada superficial por ano. Em encostas íngremes, a combinação de chuva intensa e falta de cobertura vegetal leva a ravinas que comprometem a estabilidade do talude. Medimos o potencial de erosão com o ensaio de Indice de Erodibilidade (K) e, quando há risco de piping, instalamos piezômetros para monitorar o gradiente hidráulico. A drenagem superficial (canaletas e dissipadores de energia) é a primeira linha de defesa. Sem ela, qualquer obra em Belford Roxo corre o risco de ver o solo sumir debaixo da fundação.
Normas técnicas vigentes
NBR 11682:2009 (Estabilidade de Taludes), NBR 6459:2016 (Limite de Liquidez), NBR 7180:2016 (Limite de Plasticidade), NBR 7181:2016 (Análise Granulométrica)